Assassinos de Marielle e Anderson são condenados a 76 anos de prisão

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou os irmãos Chiquinho e Domingos Brazão a 76 anos e 3 meses de prisão por planejar e mandar matar a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes, em março de 2018, no Rio de Janeiro. Além disso, eles terão de pagar R$ 7 milhões em reparação de danos às famílias das vítimas. Deste total, R$ 4 milhões serão destinados à família de Marielle, enquanto R$ 3 milhões irão para a viúva e o filho de Anderson. Nesta manhã, o STF concluiu o julgamento dos acusados de serem os mandantes do crime. O relator Alexandre de Moraes, seguido por Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino, presidente da Turma, votou pela condenação, e todos os integrantes da Turma acompanharam sua decisão. Os réus incluem Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro (TCE-RJ); Chiquinho Brazão, ex-deputado federal e irmão de Domingos; Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil do Rio; o major da Polícia Militar Ronald Alves de Paula; e o ex-policial militar Robson Calixto, assessor de Domingos. Todos permanecem presos preventivamente. Dos cinco acusados pela Procuradoria-Geral da República, apenas Rivaldo Barbosa foi absolvido do homicídio, mas foi condenado pelos crimes de obstrução de Justiça e corrupção passiva.

Delação

Segundo a delação premiada de Ronnie Lessa, réu confesso de efetuar os disparos, os irmãos Brazão e Barbosa agiram como mandantes do crime. Além disso, Rivaldo Barbosa teria auxiliado nos preparativos; Ronald Alves monitorou a rotina de Marielle e repassou informações ao grupo; e Robson Calixto forneceu a arma usada por Lessa. O relator Alexandre de Moraes votou pela condenação dos irmãos Brazão pelo duplo homicídio qualificado e pela tentativa de homicídio da assessora Fernanda Chaves, que sobreviveu ao ataque. Com relação a Ronald Alves, Moraes considerou que ele participou do monitoramento de Marielle, fornecendo informações essenciais para que os crimes fossem consumados. Quanto a Robson Calixto, o ministro confirmou sua participação na organização criminosa armada. No caso de Rivaldo Barbosa, Moraes destacou que ele estava na folha de pagamento de diversas milícias, caracterizando obstrução de Justiça e corrupção passiva majorada. Contudo, o ministro avaliou que não há prova específica de que Rivaldo tenha participado diretamente dos assassinatos, embora a PGR tenha imputado a ele triplo homicídio — dois consumados e um tentado.
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