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Quem é André Testa, treinador de vôlei preso suspeito de abusos sexuais contra jovens atletas em SC


Aos 25 anos na época, André foi juiz de linha naquela partida do Maracanãzinho, onde a seleção masculina conquistou o ouro e o tricampeonato olímpico. Seis anos depois, foi detido após uma série de denúncias, algumas delas desde 2017.

  • ‘Passava a mão’, fornecia bebida alcoólica e levava para o motel: confira relatos de vítimas contra André Testa

Os casos estão sendo investigados pela Polícia Civil, que preferiu não se manifestar, já que, por se tratar de menores de idade, a apuração ocorre em segredo de Justiça.

André Testa foi juiz de linha nas Olimpíadas do Rio de Janeiro — Foto: Reprodução

André Testa foi juiz de linha nas Olimpíadas do Rio de Janeiro — Foto: Reprodução

Em nota, a defesa de André Testa avaliou a prisão preventiva como “inoportuna, desnecessária e ilegal” e que foi baseada em “ilações e conjecturas” apresentadas pela polícia.

“André é inocente e não são procedentes as imputações. Conforme se comprovará no transcorrer do processo, há denuncismo de viés vingativo. Todas as informações colhidas até o presente momento foram produzidas sem que fosse oportunizado o direito ao contraditório”, diz nota da defesa, assinada pelos advogados Leandro Henrique Martendal e Marlon Charles Bertol.

Treinador de voleibol é preso em São José

Treinador de voleibol é preso em São José

André atuava na Associação Terra Firme de São José, na Grande Florianópolis, que recebe dinheiro público da prefeitura. A administração do município já tinha afastado preventivamente o treinador de todas as atividades desde que soube das denúncias.

Mesmo sendo árbitro, chegou a atuar na equipe adulta de vôlei de São José ao mesmo tempo em que treinava os jovens que disputaram os Jogos Escolares de Santa Catarina.

Coordenou também diversas competições a nível local e estadual e foi árbitro no Grand Prix da modalidade. Foi indicado pela Federação Catarinense para representar o estado na Rio 2016.

As denúncias contra o treinador começaram no mês de maio. Uma das vítimas, atualmente maior de idade, procurou a Polícia Civil para relatar um abuso de 2017, quando tinha 15 anos. A equipe da NSC TV preservou a identidade da vítima.

“Ele me levou para a casa dele e lá ele começou a passar a mão em mim essas coisas e tal. Enfim, eu não tinha malícia na época porque eu tinha muita confiança nele, era uma pessoa muito persuasiva, sabe, ele ganha muito a tua confiança e ele acabou abusando de mim”, relatou.

“Eu não estava, como eu posso dizer, eu não estava entendendo direito essa situação. Foi a minha primeira vez, eu era virgem na época”, completou.

Carros da Polícia Civil de Santa Catarina — Foto: Polícia Civil/Divulgação

Carros da Polícia Civil de Santa Catarina — Foto: Polícia Civil/Divulgação

Outro atleta, que também é maior de idade, conta que passou por uma situação muito parecida com o mesmo treinador e na mesma época.

“Ele foi comigo até um restaurante. Lá comprou bebida alcoólica, só que ele forçadamente ficava insistindo que eu tomasse bebida alcoólica, mesmo eu não querendo. E ele insistiu, insistiu, insistiu e eu acabei cedendo. E aí fiquei completamente bêbado naquele período ali. Na minha teoria, quando a gente foi para o carro, achei que a gente ia para a casa atleta dormir, no outro dia treinar. Só que aí ele tomou um rumo diferente, ele foi para o motel. Só que eu só tenho flash de memória, não tenho memória completa, por conta de estar muito bêbado. Não consegui resistir fisicamente. Ele só me levou para tomar um banho, me botou na cama pelado e me estuprou”, disse.

Outro atleta conta que não foi abusado, mas que o comportamento do treinador com os jovens chamava a atenção.

“Ele fazia umas brincadeirinhas, como se fosse bem íntimo, sabe. Ele passava a mão nos atletas, fazia umas brincadeirinhas sexuais com os atletas, deixava-os constrangidos. Eles ficavam sem jeito, sem reação. Não sabiam o que fazer porque eles o viam como o ‘cara’ né”, afirmou.

Ele conta também que os casos estariam ocorrendo há bastante tempo. “Vem fazendo isso já não é de agora. Já faz isso há muito tempo e, como ninguém teve coragem de falar, ele continua fazendo”.

O pai de um atleta conta que ouviu boatos sobre casos mais antigos e decidiu se aproximar dos adolescentes. Em pouco tempo, descobriu mais relatos em que menores de idade, já de outra geração, também foram abusados pelo mesmo treinador.

Um dos abusos teria ocorrido em uma “casa atleta”, usada para abrigar jovens de outras cidades e estados.

“A gente fica chocado, revoltado né, porque uma pessoa que está à frente de um projeto que atende crianças, que às vezes tem crianças carentes, que tem problemas sociais, de família, e busca no esporte algo para descontrair, para ser algo prazeroso e tem um acontecimento desse”, lamentou.

Em mensagem, atleta afirma que não denunciou técnico para não prejudicar time — Foto: Reprodução/NSC TV

Em mensagem, atleta afirma que não denunciou técnico para não prejudicar time — Foto: Reprodução/NSC TV

Em um trecho de uma conversa por mensagens entre duas vítimas, menores de idade, uma delas afirma que não denunciou para não dar problema para o time e não destruir o sonho dos outros jovens.

A Associação Terra Firme afirmou que não concorda com esse tipo de situação, nenhum tipo de assédio, físico moral ou sexual, e que prontamente afastou o técnico para que as investigações fossem feitas sem qualquer interferência junto aos jogadores.

A Fundação Municipal de Esportes de São José também se manifestou. Por nota, disse que tomou conhecimento da denúncia informalmente em maio e que notificou imediatamente os responsáveis técnicos do projeto de voleibol e o professor foi afastado.

Já a Federação Catarinense de Voleibol não vai se manifestar no momento, pois desconhece os fatos e em nenhum momento recebeu algum tipo de denúncia. E espera que tudo seja esclarecido pelas autoridades competentes na forma da lei.

A Confederação Brasileira de Volêi (CBV) enviou nota dizendo que, diante das denúncias recebidas, a CBV determinou à Federação Catarinense de Voleibol o afastamento imediato do técnico das funções, além de suspender seu registro na entidade, até que os fatos sejam devidamente apurados.

A CBV reitera que repudia qualquer tipo de assédio, e trabalha de forma incessante por um ambiente pautado pela ética e pelo respeito, e livre de qualquer tipo de violência ou preconceito.

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Fonte: G1


05/08/2022 – Continental FM

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