Duas pessoas foram presas nesta quinta-feira (12) em uma operação conjunta da Polícia Civil de São Paulo, do Ministério Público de São Paulo (MPSP) e da Secretaria de Estado da Fazenda e Planejamento contra uma organização chinesa ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
A investigação apontou suspeita de lavagem de dinheiro e ocultação de bens por meio da atuação do grupo no comércio de produtos eletrônicos.
A Justiça autorizou o cumprimento de 20 mandados de busca e apreensão e três de prisão nos estados de São Paulo e Santa Catarina.
Um homem com histórico criminal ligado ao PCC e uma mulher considerada articuladora do esquema foram presos. O terceiro mandado tinha como alvo um empresário chinês que está na China e, portanto, não pode ser detido.
Na operação, as equipes também apreenderam quatro carros de luxo. Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), a força-tarefa mobilizou 100 policiais civis, 20 auditores fiscais da Receita Estadual e dois promotores de Justiça para cumprir mandados em quatro endereços ligados ao grupo investigado.
Durante entrevista coletiva realizada hoje, o delegado titular da 3ª Divisão de Investigações Gerais (DIG), Fernando David, afirmou que chama atenção a participação direta do PCC no esquema.
"Existe uma torpeza, para algumas empresas, alguns empresários, de se conectar com o PCC, que virou uma verdadeira plataforma de serviços para quem quer aumentar os lucros”, disse.
As vendas de produtos eletrônicos eram realizadas pela plataforma principal da Knup no Brasil, mas os pagamentos eram redirecionados para empresas de fachada, que funcionavam como contas de passagem. As notas fiscais, por sua vez, eram emitidas por outras empresas.
Segundo a SSP, o grupo movimentou ao menos R$ 1,1 bilhão em apenas sete meses, criando uma discrepância significativa entre o fluxo de caixa real e o patrimônio auditável das empresas operacionais.
O promotor do MPSP Ivan Agostinho explicou que a investigação identificou o escamoteamento de bens e patrimônio.
"O objetivo aqui é, efetivamente, a asfixia financeira. É o único caminho em que a gente consegue atingir as organizações criminosas”, afirmou.
A investigação comprovou, segundo a SSP, uma confusão patrimonial sistemática com o objetivo de fraudar o fisco, credores e o sistema judiciário.
“Enquanto a investigação atual foca na lavagem de capitais por meio da mescla de recursos ilícitos com negócios lícitos, os crimes fiscais identificados serão comunicados formalmente aos órgãos competentes para as devidas providências”, informou a pasta.
O Grupo de Atuação Especial de Persecução Patrimonial (Gaepp), do MPSP, obteve o sequestro de valores de até R$ 1,1 bilhão.
Entre os bens já identificados e bloqueados estão ao menos R$ 25 milhões em imóveis de luxo, veículos, dezenas de contas bancárias em nome de laranjas e diversas aplicações financeiras.