O 32º Prêmio Expressão de Ecologia, na categoria Recuperação de Áreas Degradadas, reconheceu o Programa Água Boa, desenvolvido pela Prefeitura de Chapecó desde 2006. Para o prefeito Valmor Junior Scolari, a premiação confirma uma política pública voltada à segurança hídrica. Segundo ele, entre as ações, a da bacia do Lajeado São José preservaram o principal sistema de abastecimento do município e garantiram o fornecimento mesmo durante estiagens. Quando protegemos nascentes e matas ciliares, estamos garantindo água para o presente e para o futuro da cidade.
O programa recupera Áreas de Preservação Permanente, protege nascentes e cursos d`água, promove o plantio de espécies nativas e assistência técnica em 25 microbacias do bioma Mata Atlântica. Atende 708 propriedades, beneficia 688 famílias, cerca de 2,7 mil pessoas, e já recuperou 606,06 hectares de áreas degradadas, protegeu 320 nascentes, plantou mais de 52 mil mudas, implantou 202 quilômetros de cercas e manejou 24 reservatórios, utilizando mais de 50 espécies nativas. Também forneceu 70,8 mil palanques, 923 rolos de arame de mil metros, 5,8 mil catracas e 12,7 mil tramas de madeira para isolamento de áreas sensíveis.
O secretário de Agricultura e Pesca, Mauro Zandavalli, afirmou que a adesão cresceu à medida que os resultados apareceram nas propriedades. Sustenta que a proposta busca conciliar rentabilidade, responsabilidade social e conservação ambiental, tendo o produtor rural como principal interessado na preservação dos recursos naturais.
A execução reúne a Secretaria de Agricultura e Pesca, a Diretoria de Meio Ambiente, o Consórcio Iberê e parcerias público-privadas. A Prefeitura fornece materiais e mudas nativas; os produtores executam a mão de obra.
O coordenador do Programa Água Boa, o agrônomo Marco Aurélio Godoi, afirmou que o principal desafio inicial foi mostrar que a preservação também fortalece a atividade rural. Segundo ele, hoje os produtores associam a recuperação ambiental ao aumento da disponibilidade de água, à valorização da propriedade e à melhoria da produção. Destacou ainda que a metodologia dialoga com o Cadastro Ambiental Rural (CAR), facilita o ingresso no Programa de Regularização Ambiental (PRA) e contou com a atuação do Ministério Público para oferecer segurança jurídica.
O diretor de Meio Ambiente, Marck Gehlen, destacou que parte dos investimentos decorre da conversão de penalidades de Autos de Infração. Entre 2024 e 2025, Termos de Compromisso destinaram aproximadamente R$ 518 mil para aquisição de mudas, palanques, arames e outros insumos. Segundo ele, o mecanismo transforma recursos de infrações ambientais em investimentos permanentes na conservação e recuperação dos recursos hídricos.
Os produtores relatam resultados práticos. Na Colônia Cella, Alcides Orso afirmou que, após a recuperação das áreas protegidas, a disponibilidade de água aumentou, permitindo abastecer quatro aviários e ainda contribuir para o abastecimento de Chapecó.
Na Agropecuária Ludovico Tozzo, Jair Luis Trizoto relatou melhora na qualidade da água, redução da turbidez, recuperação ambiental e maior presença de fauna. Para ele, o reconhecimento deverá estimular novas adesões ao programa.
Também na Colônia Cella, Márcio Fernando Cella afirmou que as cercas e a recuperação ambiental ampliaram a vegetação, melhoraram o solo e protegem as nascentes, deixando melhores condições para as futuras gerações.