Saúde

Surto de ebola ultrapassa 5 mil mortes no Congo e preocupa autoridades internacionais

Continental FM 96.1 31/10/2026 · 08h14

Surto de ebola ultrapassa 5 mil mortes no Congo e preocupa autoridades internacionais

Doença já provocou mais de dez mil infecções na República Democrática do Congo; disseminação para outros países africanos aumenta a preocupação com o controle do vírus.

A República Democrática do Congo enfrenta uma grave emergência sanitária após o número de mortes provocadas pelo atual surto de ebola ultrapassar a marca de cinco mil.

De acordo com os dados mais recentes do Ministério da Saúde congolês, divulgados neste sábado, 31 de outubro, o país registra 5.026 mortes entre 10.351 pessoas infectadas.

Os números representam uma letalidade próxima de 50%, tornando o atual surto o segundo mais mortal da história da doença.

A epidemia começou em maio de 2026 e se espalhou por diferentes regiões do território congolês, principalmente no leste do país.

Doença já atinge dezenas de regiões

O surto é causado pelo vírus Bundibugyo, uma das variantes responsáveis pela doença conhecida como ebola.

Segundo as autoridades sanitárias, foram registrados casos em 67 zonas de saúde, distribuídas por oito províncias da República Democrática do Congo.

As regiões de Ituri e Kivu do Norte concentram a maior parte das infecções e mortes.

Uma das principais dificuldades enfrentadas pelas equipes médicas é identificar rapidamente os novos pacientes e localizar pessoas que tiveram contato com indivíduos infectados.

Dados divulgados pelo Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças indicam que aproximadamente 80% das novas infecções surgem fora das cadeias de contato que já estavam sendo monitoradas.

Isso dificulta o isolamento dos casos e favorece a continuidade da transmissão.

Países vizinhos também registraram casos

A situação preocupa as autoridades internacionais porque a doença deixou de ficar restrita ao território congolês.

Quênia, Nigéria e Uganda estão entre os países que registraram casos relacionados ao surto.

No Quênia, foram confirmadas oito infecções e duas mortes. A Nigéria também identificou um caso importado.

A Organização Mundial da Saúde acompanha a situação e defende o fortalecimento dos sistemas de vigilância, atendimento e identificação de novos pacientes.

O avanço territorial da doença amplia a necessidade de cooperação entre os governos africanos e organismos internacionais de saúde.

Falta de recursos dificulta atendimento

Além da elevada gravidade da doença, as equipes que combatem a epidemia enfrentam dificuldades decorrentes de conflitos armados, deslocamentos populacionais, problemas de infraestrutura e insuficiência de recursos.

A violência em determinadas regiões também dificulta o acesso de profissionais de saúde às comunidades atingidas.

Segundo os dados divulgados, cerca de um terço das pessoas que morreram não chegou a receber atendimento médico antes do óbito.

Até o levantamento mais recente, 2.788 pacientes haviam se recuperado.

Como ocorre a transmissão?

O ebola pode ser transmitido pelo contato direto com sangue, secreções e outros fluidos corporais de pessoas infectadas, além do contato com materiais contaminados.

Os sintomas podem incluir febre, fraqueza intensa, dores musculares, vômitos e diarreia. Em situações graves, podem ocorrer complicações sistêmicas e hemorragias.

Para a variante Bundibugyo, ainda não existe uma vacina específica aprovada ou um tratamento antiviral comprovadamente eficaz. O atendimento médico se concentra no suporte clínico, no tratamento das complicações e na manutenção das funções do organismo.

A Organização Mundial da Saúde continua acompanhando a evolução da epidemia, enquanto autoridades sanitárias africanas reforçam as medidas de prevenção e controle.

O principal desafio é interromper as cadeias de transmissão e ampliar o acesso ao atendimento nas regiões mais afetadas.


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